Jesus no Alcorão
Jesus (Isa, em árabe) é mencionado 25 vezes no Alcorão — mais do que o próprio Muhammad. Ele recebe títulos extraordinários: Messias (Al-Masih), Palavra de Deus (Kalimatu Allah), Espírito de Deus (Ruh Allah). Uma surata inteira do Alcorão é dedicada à sua mãe, Maria (Maryam) — que, aliás, é a única mulher mencionada por nome no Alcorão.
O Islã afirma que Jesus nasceu de uma virgem por milagre divino, que realizou milagres (curou doentes, ressuscitou mortos, falou no berço), e que foi um dos maiores profetas da história. A reverência dos muçulmanos por Jesus surpreende muitos cristãos que nunca souberam disso.
Referência: Alcorão 3:45-49
As diferenças com o cristianismo
A principal diferença é teológica: o Islã não aceita que Jesus seja Deus ou filho de Deus no sentido literal. Para os muçulmanos, Jesus é um ser humano — extraordinário, milagroso, abençoado — mas humano. Deus, no Islã, não gera nem é gerado.
Outra diferença significativa é sobre a crucificação. O Alcorão afirma que Jesus não foi morto na cruz: "Eles não o mataram nem o crucificaram, mas assim lhes foi apresentado." A tradição islâmica majoritária ensina que Deus elevou Jesus a Si e que ele retornará antes do Dia do Juízo. Portanto, para os muçulmanos, a história de Jesus ainda não terminou.
Referência: Alcorão 4:157-158
O que Jesus ensina no Islã
No Alcorão, Jesus é apresentado como um profeta que enfatizou a misericórdia, a humildade e a adoração ao Deus único. Ele é descrito como alguém que curava os doentes, confortava os aflitos e confrontava a hipocrisia religiosa de seu tempo.
Um dos momentos mais poderosos de Jesus no Alcorão é quando Deus lhe pergunta no Dia do Juízo: "Ó Jesus, filho de Maria! Foste tu que disseste aos homens: Tomai-me e à minha mãe como deuses além de Deus?" E Jesus responde: "Glória a Ti! Não me compete dizer o que não tenho direito de dizer." É uma cena de humildade profunda que ilustra como o Islã vê Jesus: um servo de Deus que nunca pediu para ser adorado.
Referência: Alcorão 5:116-117
Uma ponte entre as tradições
Em vez de ver as diferenças como conflitos, muitos estudiosos propõem vê-las como perspectivas complementares. Cristãos e muçulmanos concordam que Jesus nasceu de uma virgem, realizou milagres, foi elevado aos céus, e retornará. Discordam sobre sua natureza divina e a crucificação.
O Alcorão chama cristãos e judeus de "Povo do Livro" (Ahl al-Kitab) — uma categoria especial de respeito. O Profeta Muhammad tinha relações cordiais com cristãos e judeus, incluindo um tratado de proteção com os cristãos do Monastério de Santa Catarina no Sinai, que ainda existe hoje. Jesus, no Islã, não é uma figura de divisão — é uma ponte.
Referência: Alcorão 29:46