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Uma família com duas perspectivas

Sunitas e xiitas compartilham o mesmo Deus, o mesmo Profeta e o mesmo Alcorão. A diferença começou com uma pergunta política, não teológica.

A origem da divisão

Quando o Profeta Muhammad faleceu em 632 d.C., a comunidade muçulmana enfrentou uma questão prática: quem seria o próximo líder? Um grupo defendia que a comunidade deveria escolher o mais qualificado — esse grupo se tornou os sunitas. Outro grupo defendia que a liderança deveria permanecer na família do Profeta, especificamente com Ali, seu primo e genro — esse grupo se tornou os xiitas (de "Shi'at Ali" — partido de Ali).

A divisão, portanto, não começou por uma questão teológica sobre Deus, o Alcorão ou os pilares do Islã. Foi uma divergência política sobre sucessão. Com o tempo, práticas e ênfases diferentes se desenvolveram, mas o fundamento é o mesmo.

O que compartilham?

Sunitas e xiitas compartilham muito mais do que os separa. Ambos acreditam em um único Deus (Allah), no Alcorão como palavra de Deus, em Muhammad como último profeta, nos cinco pilares do Islã, nos seis artigos de fé, e na vida após a morte.

Ambos oram cinco vezes ao dia na direção de Meca, jejuam no Ramadan, realizam a peregrinação (Hajj), pagam o zakat e recitam a Shahada. As diferenças são mais de prática e ênfase do que de fundamento. É como católicos e protestantes no cristianismo — reconhecidamente diferentes, mas compartilhando o mesmo alicerce.

As diferenças na prática

As principais diferenças incluem: na oração, xiitas às vezes combinam orações (orando 3 vezes ao dia em vez de 5), e usam uma pedrinha de argila (turbah) para prostrar. Na jurisprudência, xiitas seguem a escola Ja'fariyya, enquanto sunitas seguem uma das quatro escolas clássicas (Hanafi, Maliki, Shafi'i, Hanbali).

Xiitas dão grande importância ao sofrimento de Hussain, neto do Profeta, martirizado na Batalha de Karbala (680 d.C.). O evento é comemorado na Ashura com rituais de luto. Xiitas também têm a instituição do Imamato — líderes religiosos considerados guias divinamente inspirados. A vertente principal (Doze Imames) acredita que o 12º Imam está oculto e retornará.

Proporção e distribuição

Os sunitas representam cerca de 85-90% dos muçulmanos no mundo. Os xiitas, 10-15%. Países de maioria xiita incluem Irã, Iraque, Bahrein e Azerbaijão. Comunidades xiitas significativas existem no Líbano, Iêmen, Paquistão e Arábia Saudita.

Apesar de conflitos geopolíticos que frequentemente são enquadrados como "sunita vs. xiita", muçulmanos das duas vertentes convivem pacificamente na maioria dos contextos. Casamentos entre sunitas e xiitas são comuns em muitos países. A narrativa de conflito permanente é mais reflexo de disputas políticas entre Irã e Arábia Saudita do que da realidade vivida pela maioria dos muçulmanos.

Perguntas frequentes

Não. A grande maioria convive pacificamente. Conflitos nessas linhas são geralmente políticos, não religiosos. Casamentos entre sunitas e xiitas são comuns em muitos países.

Ambos se consideram muçulmanos autênticos e compartilham os fundamentos do Islã. A questão da "correção" depende da perspectiva teológica de cada grupo. O essencial — monoteísmo, Alcorão, profetismo — é idêntico.

A comunidade muçulmana no Brasil é majoritariamente sunita, mas existem comunidades xiitas em cidades como São Paulo e Foz do Iguaçu. Ambas convivem sem conflito significativo.

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