A perda de tudo
"E lembra-te de Nosso servo Jó, quando chamou a seu Senhor: 'Por certo, Satã tocou-me com fadiga e castigo.'"
O Alcorão menciona a história de Jó em pinceladas. Faz questão de manter Jó como exemplo de paciência, mas é mais reservado nos detalhes do sofrimento do que o Livro de Jó.
"Então, Jó se levantou, rasgou o seu manto, rapou a cabeça e, lançando-se em terra, adorou; e disse: Nu saí do ventre de minha mãe e nu voltarei; o Senhor o deu e o Senhor o tomou: bendito seja o nome do Senhor! Em tudo isto, Jó não pecou, nem atribuiu a Deus falta alguma."
Uma das passagens mais célebres do AT. Jó perde filhos, riqueza, saúde — e louva. A liturgia cristã e judaica cita esse verso em funerais há 3.000 anos.
As duas tradições guardam a mesma essência: Ayyub/Jó é o modelo do crente que mantém a fé no meio da perda absoluta. Alcorão é conciso; Bíblia narra em 42 capítulos. A mesma figura, duas resoluções editoriais.