A anunciação a Maryam
"Quando os anjos disseram: 'Ó Maryam! Por certo, Allah te alvissara um Verbo, vindo dEle, cujo nome é o Messias, Jesus, filho de Maria, sendo honorável na vida terrena e na Derradeira Vida, e dos próximos a Allah.' […] Ela disse: 'Senhor meu! Como hei de ter um filho, se nenhum homem me tocou?' Ele disse: 'Assim Allah cria o que quer. Quando decreta algo, apenas, diz-lhe: Sê, e é.'"
Maryam é a única mulher mencionada pelo nome no Alcorão — e tem uma sura inteira dedicada a ela (19). O diálogo com o anjo é quase idêntico ao de Lucas.
"O anjo disse: Eis que conceberás e darás à luz um filho, a quem chamarás pelo nome de Jesus. Este será grande e será chamado Filho do Altíssimo. […] Disse Maria ao anjo: Como será isto, pois não tenho relação com homem algum? […] O poder do Altíssimo te envolverá com a sua sombra."
O texto cristão amplia a identificação como "Filho do Altíssimo". O Alcorão preserva "Messias" e "próximo a Allah" — mas não "filho" em sentido biológico.
Ponto em comum absoluto: Maryam é virgem, o anjo anuncia, ela consente. As duas tradições descrevem a mesma cena com pouquíssima divergência textual. O ponto de divergência teológica está no <em>significado</em> do nascimento virginal — sinal de divindade para cristãos; sinal de poder criador de Deus para muçulmanos (3:59 compara Isa a Adão: ambos criados sem pai, ambos apenas por ordem divina).