O pedido de sabedoria
"Senhor meu! Perdoa-me e dadiva-me com um reino, que a ninguém depois de mim seja lícito. Por certo, Tu és O Dadivoso."
No Alcorão, Sulaiman pede um reino único — não riqueza pessoal, mas soberania para servir. Allah concede: o vento a seu comando, os jinns ao seu serviço, compreensão da linguagem das aves.
"Dá, pois, ao teu servo coração compreensivo para julgar a teu povo, para que prudentemente discirna entre o bem e o mal. […] Eis que te dou coração sábio e inteligente, de maneira que antes de ti não houve teu igual, e depois de ti não se levantará teu semelhante."
A cena mais célebre da juventude de Salomão. Em Gibeão, Deus aparece em sonho e oferece qualquer coisa. Salomão pede discernimento. A tradição judaica e cristã leem como o arquétipo do pedido certo.
Convergência notável. Em ambas as tradições, Sulaiman/Salomão é definido pelo que <em>não</em> pediu — não pediu vida longa, nem riqueza, nem a morte dos inimigos. Pediu capacidade de julgar/servir. A diferença editorial: o Alcorão enfatiza o reino como instrumento de adoração ("a ninguém depois de mim"); a Bíblia enfatiza o coração sábio para o povo. Mesmo centro, duas câmeras.