A fuga e a tempestade
"E, por certo, Jonas era dos Mensageiros. Lembra-te de quando fugiu no barco repleto. Então, sorteou e foi dos refutados. E a baleia engoliu-o, enquanto merecedor de censura."
O Alcorão sintetiza em 4 versos o que o Livro de Jonas narra em 1 capítulo. A fuga de Yunus é diretamente atribuída a impaciência com o povo — saiu antes que Allah ordenasse. "Merecedor de censura" é um dos raros momentos em que o Alcorão atribui uma falha a um profeta.
"Veio a palavra do Senhor a Jonas, filho de Amitai, dizendo: Dispõe-te, vai à grande cidade de Nínive e prega contra ela, porque a sua malícia subiu até mim. Jonas, porém, se dispôs a fugir da presença do Senhor para Társis. […] O Senhor, porém, lançou sobre o mar um forte vento. […] Tomaram a Jonas e o lançaram ao mar, e cessou o mar da sua fúria."
O Livro de Jonas é uma das peças literárias mais sofisticadas do AT. Quatro capítulos, prosa cuidada. Jonas foge <em>da presença do Senhor</em> — linguagem teológica cuidadosa. Os marinheiros pagãos se convertem antes dele.
As duas tradições concordam no essencial: Yunus/Jonas recebe missão, foge, é jogado ao mar, é engolido. O Alcorão comprime; a Bíblia expande. Ambos enfatizam: <em>Yunus errou</em>. A tradição islâmica usa essa falha como pedagogia — até um profeta pode escapar de sua responsabilidade, e ainda assim ser resgatado pela misericórdia divina.