Dia 1 — O primeiro pôr do sol
O texto
Árabe:
يَا أَيُّهَا الَّذِينَ آمَنُوا كُتِبَ عَلَيْكُمُ الصِّيَامُ
كَمَا كُتِبَ عَلَى الَّذِينَ مِن قَبْلِكُمْ لَعَلَّكُمْ تَتَّقُونَTransliteração: Ya ayyuha lladhīna āmanū kutiba ʿalaykumu s-siyāmu kamā kutiba ʿalā lladhīna min qablikum laʿallakum tattaqūn
Tradução (Helmi Nasr):
"Ó vós que credes! É-vos prescrito o jejum, como foi prescrito aos que foram antes de vós, para serdes piedosos." — Alcorão 2:183
Reflexão
O Ramadan não foi inventado pelo Islam. O Alcorão diz explicitamente: como foi prescrito aos que foram antes de vós. Moisés jejuou 40 dias no Monte Sinai. Jesus jejuou 40 dias no deserto. Davi jejuava metade dos dias do ano. A tradição cristã guarda a Quaresma. Judeus jejuam no Yom Kippur.
O jejum é a prática espiritual mais antiga da humanidade. O que o Ramadan faz de diferente é dar uma estrutura precisa: 30 dias, do alvorecer ao pôr do sol, sem comida, sem bebida, sem fumo, sem sexo. O corpo aprende a lembrar de Deus não porque leu um livro, mas porque sente a ausência.
A palavra-chave é taqwā — traduzida aqui como "piedade", mas mais próxima de "consciência viva de Deus". Você não jejua pra emagrecer. Jejua pra que, no momento em que o estômago reclama às 15h da tarde, você lembre que existe algo maior que o estômago.
Pergunta do dia
Você já jejuou por algum motivo espiritual? Se nunca, o que te impediu? Se sim, o que você sentiu quando o sol finalmente se pôs?
Amanhã: a primeira madrugada. Sahur antes do alvorecer.